Wednesday, March 04, 2009

O Mistério das Cousas

 


O mistério das cousas, onde está ele?


Onde está ele que não aparece


Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?


Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?


E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?


Sempre que olho para as cousas e penso no que os homens pensam delas,


Rio como um regato que soa fresco numa pedra.


Porque o único sentido oculto das cousas


É elas não terem sentido oculto nenhum,


É mais estranho do que todas as estranhezas


E do que os sonhos de todos os poetas


E os pensamentos de todos os filósofos,


Que as cousas sejam realmente o que parecem ser


E não haja nada que compreender.


Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: —


As cousas não têm significação: têm existência.


 


As cousas são o único sentido oculto das cousas.


 


Alberto Caeiro in "O Guardador de Rebanhos"


 


 


 

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